POLITICA

Plenário do TCE-MT julga regulares contas da Metamat e propõe estudo sobre mineração no estado

Por Secom TCE/MT
Publicado em 11-09-2026 às 10:43hrs
Processo foi julgado na sessão de terça-feira (8) e apresentou resultados positivos na gestão fiscal

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) julgou regulares as contas anuais de gestão de 2024 da Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat). Sob relatoria do conselheiro Alisson Alencar, o balanço foi apreciado na sessão ordinária desta terça-feira (8) e apresentou superávit na execução orçamentária e economia orçamentária.

No exercício, as despesas da Metamat foram fixadas em R$ 65,3 milhões na Lei Orçamentária Anual (LOA). Considerando os recursos provenientes do Tesouro Estadual, as receitas chegaram a R$ 77,7 milhões, enquanto as despesas empenhadas somaram R$ 56,9 milhões, resultando em superávit de execução orçamentária de R$ 20,8 milhões.

"Verifico que os atos de gestão da Companhia Mato-Grossense de Mineração, exercício de 2024, apresentaram resultados positivos, sob a ótica dos critérios de legalidade, legitimidade, eficiência e economicidade, demonstrando a regularidade do seu funcionamento", afirmou o conselheiro-relator.

Entre as falhas mantidas, Alisson Alencar destacou a contratação da empresa intermediadora do vale-alimentação sem licitação e sem contrato, com pagamento de R$ 3,11 milhões, motivo pelo qual votou pela aplicação de multa ao então diretor-presidente e ao diretor administrativo e financeiro à época.

As irregularidades incluem ainda a falta de justificativa para preços e quantidades em licitações, o pagamento antecipado da remuneração de integrantes dos conselhos de Administração e Fiscal, a não realização do inventário patrimonial de 2024 e a ausência de atuação efetiva do controle interno, que resultou em multa aos responsáveis. 

Ao considerar o contexto geral do balanço, por sua vez, o conselheiro chamou a atenção para a existência de circunstâncias atenuantes, ressaltando que as falhas constatadas não comprometeram os resultados alcançados pela estatal. 

"Apesar da manutenção de grande parte das irregularidades inicialmente apontadas, não verifiquei a presença de gravidade nos fatos irregulares e nas condutas dos responsáveis capazes de macular os resultados obtidos pela gestão da Companhia", pontuou.

Frente ao exposto, Alisson acolheu parcialmente o parecer do Ministério Público de Contas (MPC) e determinou, em seu voto, que a atual gestão garanta que a remuneração dos membros dos conselhos só seja paga após a comprovação de participação nas reuniões. 

Além disso, a Metamat deverá aperfeiçoar a elaboração e o acompanhamento do orçamento anual, apresentar notas explicativas das demonstrações contábeis e publicá-las na imprensa oficial, e fundamentar a estimativa de preços e quantidades em futuras licitações, demonstrando a vantagem financeira nas adesões a atas de registro de preços.

O voto, acompanhado por unanimidade pelo Plenário do TCE-MT, também recomenda a conferência dos saldos da Demonstração dos Fluxos de Caixa, a republicação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido de 2024 e a conciliação das demonstrações contábeis elaboradas pela Lei 6.404/1976 com as da Lei 4.320/1964. 

Estudo sobre mineração em Mato Grosso

Na ocasião, o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, propôs que a Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COPMAS), presidida por ele, trabalhe em conjunto com o conselheiro Alisson Alencar, em um estudo sobre a mineração e propriedade do solo no estado.

"Mato Grosso precisa de uma estrutura firme, forte, atuante na área da mineração. Eu penso que a gente poderia fazer um estudo grandioso, porque é parte importante da economia do estado", defendeu.

Ele também destacou o papel do setor no Plano de Metas Mato Grosso 2050, planejamento de longo prazo que está sendo elaborado pelo TCE-MT para orientar as próximas gestões do estado. "No nosso projeto de Mato Grosso 2050, entra a exploração do garimpo na Baixada Cuiabana, porque nós temos muito ouro."

Ao aceitar a proposta, Alisson defendeu a fiscalização rigorosa sobre o setor. “Essa atividade de regulação, de fiscalização da mineração passou para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico recentemente e creio que nós temos que fazer um trabalho de fiscalização muito rigoroso”, pontuou. 

Já o conselheiro Guilherme Antonio Maluf sugeriu ampliar o escopo do trabalho para a legislação do setor, incluindo a Política Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Entre os pontos citados por ele está a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que não estaria chegando aos municípios.

"Esta Corte tem que dar a sua contribuição de uma forma bem ampla. São vários pontos críticos que precisam ser abordados e acho que o Tribunal tem que dar essa contribuição para o setor mineral do nosso estado", disse Maluf.

Comentários (0)

A Verdade MT não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático agradecemos a participação!

Outras Notícias

CULTURAVer Mais