
Quase uma década depois do início das demolições na Ilha da Banana, no Centro de Cuiabá, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) autorizou uma nova intervenção no local, onde três dos 15 imóveis desapropriados permaneceram de pé. A ordem prevê limpeza, demolição e regularização do terreno.
A Sinfra autorizou a empresa Habit Construções e Serviços Eireli a iniciar os trabalhos a partir desta terça-feira (8). O prazo previsto para execução é de 60 dias, conforme ordem de serviço publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (9).
O documento prevê limpeza, demolição e regularização do terreno, mas não informa quais estruturas serão derrubadas nem qual será a destinação futura da área.
Segundo a Sinfra, o Largo do Rosário, onde fica a chamada Ilha da Banana, estava previsto no projeto original do BRT (Bus Rapid Transit) de Cuiabá, dentro do primeiro contrato firmado com o Consórcio Construtor BRT.
Esse contrato, no entanto, foi rescindido. Quando o Estado realizou uma nova licitação para a continuidade das obras, a intervenção no Largo do Rosário não foi incluída no contrato atual, firmado com o Consórcio Integra BRT.
Por isso, conforme a Sinfra, foi decidido que os serviços na área seriam executados separadamente das obras previstas no atual contrato do BRT.
A nova intervenção ocorre menos de um ano depois de a Prefeitura de Cuiabá realizar uma operação emergencial no local.
Em outubro de 2025, a Limpurb informou ter retirado aproximadamente 20 toneladas de materiais descartados irregularmente da Ilha da Banana. A expectativa era alcançar cerca de 30 toneladas até o fim da operação. Entre os resíduos havia entulho, vegetação, pneus, plásticos e outros objetos.
Na ocasião, a prefeitura afirmou que o terreno pertence ao Estado e informou ter cobrado esclarecimentos sobre o processo de manutenção da área.
A história da demolição da Ilha da Banana começou anos antes. Em 2017, documentos oficiais da Prefeitura de Cuiabá apontavam que o local reunia um complexo de 15 imóveis distribuídos em aproximadamente 5,9 mil metros quadrados. As propriedades estavam em processo de desapropriação relacionado às obras de mobilidade urbana previstas para a região.
A demolição começou naquele mesmo ano, sob responsabilidade do Estado. A prefeitura chegou a mobilizar equipes de assistência social para acompanhar pessoas em situação de rua que ocupavam a área.
Em 2020, a Sinfra voltou a elaborar orçamento para demolição e manutenção do Largo do Rosário, conhecido como Ilha da Banana. A planilha previa serviços preliminares, limpeza, retiradas e novas demolições.
Mesmo assim, os problemas continuaram e, em março deste ano, a situação da Ilha da Banana voltou a ser alvo de cobrança na Câmara de Cuiabá, com requerimento solicitando informações sobre o imóvel e as providências previstas para a área.
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